Felipe Jucá

Paz e bem!

Textos


           Sobre o rosto de Maria
     

     Quando chega o mês de maio, eu começo a me perguntar:  afinal, como seria o rosto da Virgem Maria? Quem não gostaria de sabê-lo? 
   Compreendo, que para a esmagadora maioria dos católicos, essa indagação não tem a menor relevância diante da grandeza que envolve a genitora de Jesus.  Certo é que, não há a mais leve informação sobre o original rosto de Maria; nem no primeiro texto sobre a filha dileta de Joaquim e Ana, que é do século II, e atribuído a Santo Inácio de Antióquia. 
    No Novo Testamento, Maria aparece pouco, levado  em conta, claro, a magnitude e a importância de sua figura bíblica. E quando aparece, fica por conta dos seus devotos a tarefa de imaginar como seria o seu rosto, naquele episódio bíblico em que ela participou.
    Inexiste uma descrição, ainda que sumária, do rosto de Maria.  Por exemplo: quando lhe comunicaram que José seria seu esposo;  no momento da Anunciação; ao recitar o "Magnificat";  por ocasião do nascimento de Jesus; quando ela O encontrou, perdido, nos corredores do Templo;  nas Bodas de Canaã;  nas horas de angústia que viveu durante a Via Sacra; e, finalmente, no Calvário, ao pé da Cruz.
    Procurei, até nos Apócrifos, alguma coisa sobre a face de Maria.  Mais do que nos Evangelhos Canônicos, nos Apócrifos, a gente encontra maiores detalhes sobre sua vida e até como ocorreu a sua morte.  
    Nem os Evangelhos Apócrifos, considerados os textos mais fiéis às origens do Cristianismo, dizem que o rosto de Maria era assim, assim, assim.
    Tudo o que se sabe sobre o rosto da Santíssma Mãe deve-se à imaginação, primeiro dos nossos iconógrafos, e depois, ao pincel de consagrados pintores como Michelangelo, Giovanni Bellini, Boitticelli, Caravaggio, entre outros. 

     (Sobre os ícones de Maria, vale recordar, mais uma vez, aqueles que teriam sido pintados pelo Evangelista Lucas. 
   A tradição atribui ao autor do Terceiro Evangelho - que teria conhecido pessoalmente a mãe do Mestre - os ícones que mostram o rosto da Virgem em três momentos distintos: o primeiro, a "Madona", ela com o Menino sentado sobre seu braço esquerdo. 
    O segundo, "Nossa Senhora da ternura" , quando as faces da Mãe e do Filho "estão unidas numa doce expressão de afeto recíproco".  
    E o terceiro, a "Virgem em oração", ela, "como intercessora", diz a irmã Maria Donadeu, no seu livro Os Ícones - Imagem do invisível. ) 

     Na ânsia de descobri-lo, fui, em romaria, à cidadezinha de Angüera, no interior da Bahia, onde, dizem, a Virgem aparece a um vidente. 
    De  repente, poderia tê-lo diante dos meus olhos. Não vi absolutamente nada.  A não ser o local da romaria, que me pareceu mais apropriado para reflexões e orações do que para milagres e aparições. 
    Quando estive em Fátima, demorei-me diante da imagem da Virgem, e, piedoso, perguntei baixinho: será que ela era tão bonita como está nessa milagrosa imagem? Saí de lá achando que sim.
    Quando estive em Aparecida, olhando para a pequenina imagem da padroeira do Brasil, perguntei baixinho: será que ela era assim , simples e tão bonita? Deixei a Basílica da Padroeira, achando que sim.
     No Vaticano, fiquei quase uma hora diante da Pietá. E voltei a perguntar baixinho: será que ela era assim, de rosto tão doce?  Despedi-me da Basílica do Pescador, achando que era.
    Agora mesmo, estou olhando pra três belos quadros de Maria Santíssima: um de Bellini, mostrando o Menino, de pé, abraçando carinhosamente sua Mãe;  um de Michelangelo - quem for a Florença pode encontrá-lo na Galeria Uffisi - retratando a Sagrada Família;   e, finalmente, um quadro de Caravaggio, mostrando o repouso de Maria, na fuga para o Egito. Esse, pelo momento de ternura, me encantou.

     Devo continuar procurando o verdadeiro rosto de Maria? Sim, por que não? Pelo menos nos maios que ainda deverei atravessar.  Por enquanto, sigo achando que o rosto da Virgem se assemelha ao de Nossa Senhora do Perpétuo do Socorro, aquele ícone bizantino, pintado em Creta, entre os séculos X e XIV, cuja cópia, daqui avisto pendurado na parede do meu quarto. 
     Um dia, minha mãe convidou Senhora do Socorro Perpétuo para ser minha madrinha.  E até onde eu sei - e muitos anos já se passaram - ela não deu sinais de ter recusado o convite... Vive a me bençoar!!!

     
      


 
Felipe Jucá
Enviado por Felipe Jucá em 07/05/2007
Alterado em 16/07/2014


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