Felipe Jucá

Paz e bem!

Textos


           Sobre o rosto de Maria

     1.
Quando chega o mês de maio, eu começo a me perguntar:  afinal, como era o rosto da Virgem Maria?  
       Para a esmagadora maioria dos católicos - sei disso - essa indagação não tem a menor relevância diante da inquestionável grandeza da genitora de Jesus. 
       2.  O certo é que, não há a mais leve informação sobre o rosto de Maria. Nem no primeiro texto que se conhece sobre a filha de Joaquim e Ana, do século II, atribuído a Santo Inácio de Antióquia. 
       3. No Novo Testamento Maria aparece pouco, levado-se em conta, claro, a magnitude e a importância de sua presença nos Evangelhos. E quando aparece, fica por conta dos seus devotos dizer como seria o seu rosto, no episódio bíblico em que participou.
       4. Inexiste uma descrição, ainda que sumária, do rosto de Maria.  Por exemplo: quando lhe comunicaram que José seria seu esposo;  no momento da Anunciação; ao recitar o "Magnificat";  por ocasião do nascimento de Jesus; quando ela O encontra, perdido, nos corredores do Templo;  nas Bodas de Canaã;  nas horas de angústia que viveu na Via Sacra; e, finalmente, no Calvário, ao pé da Cruz.
       5.  Até nos Apócrifos procurei alguma coisa sobre o rosto de Maria e nada.  Mais do que nos Evangelhos Canônicos, nos Apócrifos, a gente encontra detalhes sobre sua vida dela; até como ocorreu a sua morte. Nem os Evangelhos Apócrifos, considerados os textos mais fiéis às origens do Cristianismo, dizem que o rosto de Maria era assim, assim, assim.
       6. Tudo o que se sabe sobre o rosto da Santíssma Mãe deve-se à imaginação, primeiro dos iconógrafos e ao pincel de consagrados pintores como Michelangelo, Giovanni Bellini, Boitticelli, Caravaggio, entre outros. 
       7. Sobre os ícones de Maria, vale recordar, mais uma vez, aqueles que teriam sido pintados pelo Evangelista Lucas. A tradição atribui ao autor do Terceiro Evangelho - que teria conhecido pessoalmente a mãe do Mestre - os ícones que mostram o rosto da Virgem em três momentos distintos. 
       8. O primeiro, a "Madona", ela com o Menino sentado sobre seu braço esquerdo. O segundo, "Nossa Senhora da ternura", as faces da Mãe e do Filho "unidas numa doce expressão de afeto recíproco".  E o terceiro, a "Virgem em oração", "como intercessora", diz a irmã Maria Donadeu, no seu livro Os Ícones - Imagem do invisível. 
       9.
Na ânsia de descobrir o rosto de Maria, fui, em romaria, à cidadezinha de Anguera, no interior da Bahia, onde, dizem, a Virgem aparece a um vidente. De  repente, poderia tê-lo diante dos meus olhos. Não vi absolutamente nada. O local da romaria me pareceu mais apropriado para reflexões e orações do que para milagres e aparições. 
       10. Quando estive em Fátima, demorei-me diante da imagem da Virgem, e, piedoso, perguntei baixinho: será que ela era tão bonita como está nessa milagrosa imagem? Saí de lá achando que sim.
       11. Quando estive em Aparecida, olhando para a pequenina imagem da padroeira do Brasil, perguntei baixinho: será que ela era assim, tão simples, tão bonita? Deixei a Basílica da Padroeira, achando que sim.
       12. No Vaticano, fiquei quase uma hora diante da Pietá. E voltei a perguntar baixinho: será que ela era assim, com este rosto doce e triste?  Despedi-me da Basílica do Pescador, achando que era.
       13. Agora mesmo, estou olhando pra três belos quadros de Maria Santíssima: um de Bellini, mostrando o Menino, de pé, abraçando carinhosamente sua Mãe;  um de Michelangelo - quem for a Florença pode encontrá-lo na Galeria Uffisi - retratando a Sagrada Família;   e, finalmente, um quadro de Caravaggio, mostrando o repouso de Maria, na fuga para o Egito. Um momento de ternura... 
       14. Devo continuar procurando o rosto de Maria? Sim, por que não?  Por enquanto, sigo achando que o rosto da Virgem se assemelha ao de Nossa Senhora do Perpétuo do Socorro, como no ícone bizantino, pintado em Creta, entre os séculos X e XIV, cuja cópia, daqui avisto pendurado na parede do meu quarto. 
       15. Um dia, minha mãe convidou Senhora do Socorro Perpétuo para ser minha madrinha.  E até onde eu sei e sinto - e muitos anos já se passaram - ela não deu sinais de ter recusado o convite... Vive a me bençoar!!!

     
      


 
Felipe Jucá
Enviado por Felipe Jucá em 07/05/2007
Alterado em 19/09/2017


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